
Há muito tempo algo submergiu de um rio ancião, e como se fosse matéria dele, sua face era turva como as águas. Seu berço era o profundo e sua alma azul — ela era ele em carne viva, e seu rosto esquecido perdurou por milênios.
D de Derrelição, ouviu? Desamparo, Abandono, desde sempre a alma em vaziez, buscava nomes, tateava cantos, vincos, acariciava dobras, quem sabe se nos frisos, nos fios, nas torçuras, no fundo das calças, nos nós, nos visíveis cotidianos, no ínfimo absurdo, nos mínimos…

Um dia a luz, o entender de nós todos o destino, um dia vou compreender, Ehud. Compreender o quê? Isso de vida e morte, esses porquês… - Hilda Hilst, Senhora D.